Durante muito tempo, as tatuagens foram marginalizadas em diversas sociedades, inclusive aqui no Brasil, onde os desenhos na pele eram muitas vezes associados à criminalidade. Todavia, esse cenário tem mudado nas últimas décadas, e com frequência vemos pessoas tatuadas ostentando essa arte corporal com orgulho. Talvez até mesmo você, que agora está lendo este artigo, tenha alguma tatuagem.
Além de manifestação de arte corporal, as tatuagens, em muitos casos, também são marcos importantes para a cultura e as tradições de determinadas sociedades. Sabendo disso, separamos alguns estilos únicos de tatuagens e casos que refletem a cultura de seus povos.

Tatuagens Dulong
O povo Dulong é uma minoria étnica chinesa que possui cerca de 8 mil membros e que, até o ano de 1999, vivia em uma área inacessível na província de Yunnan. Uma de suas tradições mais conhecidas era a de tatuar os rostos das meninas quando elas chegavam à puberdade. A prática começou a ser banida a partir da década de 1950, e acredita-se que pouco mais de 20 mulheres do povo Dulong ainda possuam esse tipo de tatuagem.
Apesar de haver divergências sobre os motivos dessa tradição, alguns especialistas afirmam que o procedimento era feito para tornar as mulheres do povo Dulong menos atrativas para os traficantes de escravos e evitar que essas jovens fossem sequestradas por eles.
Otzi, o homem tatuado mais antigo
Em 1991, turistas alemães descobriram uma múmia preservada naturalmente nos Alpes de Ötztal. E, dado o seu estado de preservação, mesmo com pelo menos 5.000 anos de idade, os antropólogos ainda conseguiram identificar cerca de 61 tatuagens na múmia, que foi chamada de Otzi.
Com isso, os antropólogos começaram a especular que as tatuagens encontradas na múmia eram uma espécie de acupuntura arcaica, feitas com o intuito de tratar lesões físicas de Otzi.
Irezumi
Irezumi (“inserir tinta”, em japonês) é o estilo de tatuagem japonês que se acredita ter surgido no período Edo, entre 1603 e 1868. Ele foi adotado por diversos trabalhadores da época e simbolizava uma espécie de proteção espiritual e coragem. Todavia, nos tempos modernos, esse tipo de arte passou a ser associado à Yakuza, a máfia japonesa, o que levou à marginalização de quem possuía essas tatuagens.
Diferentemente das tatuagens modernas, o irezumi tradicional é feito por meio da técnica tebori, que consiste em um método manual de aplicar a tinta com agulhas de metal presas a cabos de madeira, muitas vezes feitos de bambu.
Tatuagem Mohave e Olive Oatman
Na década de 1850, Olive Oatman e sua irmã foram acolhidas pelo líder de uma tribo da etnia Mohave, após sua família ser massacrada pelos Tolkepayas. Por desenvolver uma relação bem próxima com os líderes dessa tribo, Olive teve o queixo, os braços e as pernas tatuados com símbolos tribais da etnia Mohave, o que lhe deu um visual único.
Até onde se sabe, os Mohave se tatuavam como forma de serem reconhecidos por seus antepassados quando chegassem ao mundo dos mortos, o que indicava que eles viam Olive como alguém pertencente ao seu povo.

Bert Grimm e a tatuagem tradicional americana
Bert Grimm foi um dos tatuadores mais famosos dos EUA no século XX, sendo um dos grandes responsáveis pela popularização do estilo tradicional americano.
Além do seu talento inegável, um dos motivos pelos quais Bert ganhou tanta notoriedade com sua arte é que, supostamente, ele teria tatuado alguns dos criminosos mais proeminentes da história dos EUA, dentre eles a dupla Bonnie e Clyde e o renomado assaltante de bancos Pretty Boy Floyd.

One Tank Trips: Bert Grimm Tattoo Museum
Por ser um contador de histórias talentoso, Bert teve sua reputação espalhada por todos os EUA e chegou a receber o título de “o maior tatuador do mundo”, sendo que ele exerceu a profissão até o dia de sua morte, em 1985, quando tinha 70 anos.
