O câncer de estômago chegou a ceifar cerca de 30 mil vidas por ano nos Estados Unidos e, após a redução desses números calamitosos, a comunidade médica está alarmada com a volta do aumento exponencial da quantidade de casos da doença.
O que está acontecendo?
Durante anos, o câncer de estômago foi considerado o mais mortal dos EUA, mas, após a população estadunidense reduzir drasticamente o tabagismo, os números caíram consideravelmente.
Porém, o número de casos de câncer de estômago voltou a aumentar nos últimos tempos, e ainda não há uma explicação concreta para isso.
Por conta disso, os médicos recomendam que fiquemos atentos aos sintomas do câncer de estômago, principalmente aos iniciais, que são quase imperceptíveis. Dentre os sintomas iniciais mais comuns estão indigestão, inchaço após consumir pequenas refeições e náuseas.

Caso não seja detectado logo nesse período inicial, é muito provável que o câncer atravesse a parede do estômago e se espalhe pelo corpo do paciente. E, infelizmente, as notícias não são animadoras.
Nos EUA, somente 38% dos pacientes sobrevivem por 5 anos após o diagnóstico da doença, considerando todos os estágios, conforme a American Cancer Society. Essa estatística fica ainda pior para as pessoas diagnosticadas com o estágio mais avançado do câncer de estômago, já que somente 8% dos pacientes nessa situação sobrevivem.

Doença da terceira idade?
Durante décadas, o câncer de estômago foi tratado como uma doença da terceira idade, já que sua prevalência ocorria em pessoas acima dos 65 anos, que tinham, principalmente, o hábito de fumar. Todavia, desde 2010, tem-se observado que a doença tem atingido um número crescente de adultos com menos de 50 anos e, desde então, tem aumentado 1% ao ano.
“Tenho notado um aumento nos casos de câncer de estômago, principalmente entre pacientes mais jovens, nos últimos anos. Esses pacientes podem ter 30 ou 40 anos e, muitas vezes, não se enquadram nos fatores de risco típicos”, relata o Dr. Amar Rewari, radio-oncologista da Luminis Health, em Maryland, em entrevista ao Daily Mail.
“São saudáveis, praticam exercícios, têm família e carreira, estão numa fase agitada da vida e, mesmo assim, descobrem que têm câncer de estômago”, completa.

Já a Dra. Yanghee Woo, gastroenterologista do Hospital City of Hope, relata que uma quantidade considerável de seus pacientes está na faixa dos 20, 30 e 40 anos, e que boa parte deles ignorava os sintomas iniciais, achando que eram referentes a uma doença mais branda.
Por conta desse pensamento, eles costumam negligenciar os sintomas iniciais por semanas, meses ou anos, até que a situação acaba se tornando insustentável e eles procuram ajuda médica.
Segundo o Dr. Rewari, quando os pacientes jovens procuram ajuda especializada, eles já estão com a doença em estágio avançado, tendo dificuldade para engolir, vômitos frequentes, perda de peso considerável, entre outros sintomas mais graves.
Não se sabe o motivo do aumento
Ainda não há um consenso sobre o que pode estar impulsionando o aumento de casos de câncer de estômago em adultos jovens, mas os médicos acreditam que alterações na dieta, infecções bacterianas, consumo de álcool e até o uso de antibióticos podem estar relacionados a esse crescimento abrupto.
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“Acreditamos que mudanças na dieta e no estilo de vida estão causando esse aumento, o que também pode estar por trás do aumento do câncer de cólon. Se você fuma, o tabagismo é definitivamente o principal fator de risco para esse tipo de câncer”, explica o Dr. Rewari.
Em 2025, um estudo revelou que, entre 2004 e 2021, o número de casos de câncer de estômago diagnosticados precocemente aumentou em 53%, enquanto o número de casos diagnosticados tardiamente caiu.
Para os médicos, esse estudo evidencia que os avanços tecnológicos são aliados essenciais na batalha contra essa doença, já que a detecção precoce do câncer de estômago é imprescindível para um tratamento mais eficaz.

“Quero que as pessoas saibam que os tratamentos em todos os estágios melhoraram e que o diagnóstico não significa necessariamente que a doença seja terminal. No passado, o câncer era muito agressivo, mas agora temos excelentes medicamentos direcionados e outros métodos que podem ser usados para combatê-lo”, diz a Dra. Yanghee.
